segunda-feira, 10 de julho de 2017

Pra ti

Ela se negava, se deixava conduzir
Erguia os olhos para olhar o horizonte que ele falava
Tocar o que ele descrevia, sentir os cheiros que ele sentia
Esquecia-se de si.

Ela pensava, mas não dizia
Era melhor concordar com cada vírgula
Fazer as pausas que o ponto-e-vírgula ordenavam
E deixar suas reticências no ar.

O seu dito? – Porque às vezes dizia –
Bem, estes eram ouvidos, mas não escutados:
O dia foi corrido, o trabalho puxado
Os olhares perdidos e o rosto manchado.

Resignava-se ser presença
Sorrir.
Beber.
Ouvir.

A troco de que?
A troco de um real ou dois de atenção
Um sorriso no cair da noite,
Um acalento numa tarde chuvosa.

Era pouco ela sabia,
Mas aprendeu a tirar o melhor que podia
E se era a (pouca) companhia
De bom grado a tomaria pelo braço, e seguiria a vida
Nas noites estreladas,
Nos dias ensolarados,
Nas tardes nubladas.

Reconhecimento já não queria,
Apenas tê-lo por perto.

Apenas amando aquilo que ele dizia: “é pra ti”.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Surpresas

Conversando com uma amiga, falávamos da previsibilidade da vida. Acho que uma das graças mais bacanas dela é justamente essa capacidade de ser imprevisível. Se já soubéssemos de tudo, se não houvesse como rearranjar contingências, promover mudanças e mesmo se surpreender, a vida seria um tédio.

O bom é a gente encontrar aquele amor da vida toda, numa esquina; meses depois a gente descobre que foi só paixão. Encontra novos amores, novos sabores. Se apaixona de novo. E, se for o “amor verdadeiro” a vida se encarrega de fazê-lo voltar.

O bom é poder ser piranha, dar pra todo mundo e ser feliz. O bom é ser certinho, achar um amor, casar, ter filhos e envelhecer juntos. O bom é saber que podemos acertar, podemos errar, podemos viver! E sendo nós mesmos, podemos ser felizes. Podemos nos respeitar. Podemos resgatar o que de melhor há em nós.


Surpreenda-se. Já trocou o caminho para casa hoje?

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Séculos



As ideias evoluem com o tempo
Podemos nos reeducar
Reaprender a ver o sol
Que há tanto está a brilhar.

Não podemos nos deixar presos
A cosas que ficaram pra trás
Olhar pro futuro e quem sabe
Mudar o mal que se faz

Respeito é palavra chave
Para que bem possamos viver
Respeito é porta que abre
Sem nada de nós querer.

Excluir, privar, “sou melhor”
São coisas que já se vão.
Viver igualdade, direitos
Eis a grande missão

Não deixe que o passado
Se meta no seu futuro
Mude, repense o errado
Se atualize – não seja burro

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Desejos



Podemos querer tantas coisas
Um carro, uma moto, uma casa
Um trabalho, uma viagem
Chocolate em pasta na lata.

Podemos  querer compartilhar
Nosso coração com alguém
Porém antes de tudo perguntemos
Será que me quer também?

Da mesma forma que quero
Um amor, carinho sem fim
Dou ao outro a chance
De ser apenas “amiguim”.

É difícil a dor
De amar, de ser em vão
Porém ninguém pode mandar
No meu ou no seu coração.

Se o amor não foi correspondido
Mesmo com provas e afins
Partamos pra outra, quem sabe
Não é nossa vez de ser feliz?

Desejos nos são permitidos
A outros permitimos também
Mas não saiamos feridos
Se outro não nos quer tão bem